Estamos formando tarefeiros ou empreendedores?

Categorias: Opinião

Que tipo de jovens estamos formando? Aqueles que seguem regras cegamente ou aqueles que são capazes de inovar?

É curioso como o próprio sistema de educação e profissionalização é contraditório. Vejamos que, as queixas dos professores de ensino infantil, fundamental e médio, acerca do comportamento estudantil, são as mesmas:



“-são transgressores; sabotam o sistema, não seguem o ritmo da turma; executam as atividades diferente dos outros; não se encaixam no padrão…”.

Padrão? Como ousamos falar em padrão? Que sociedade estamos ajudando a formar? Estamos afogando o espírito criativo dos alunos, rotulando-os com distúrbios de aprendizagem e comportamento, dizendo aos pais que seus filhos não terão sucesso porque não seguem a marcha condicionada da maioria…

Estamos cometendo um crime contra a criança e o jovem! Estamos a dizer-lhe que deve ser igual, uniforme, padrão, clichê. Começamos a fazer isso quando os reprimimos por um toque customizado no próprio uniforme, tratando uma simples descaracterização como um crime contra o patrimônio escolar. Estamos prolongado a busca desse jovem pela própria identidade, causando culpas e criando fantasmas por qualquer destaque, que aos nossos olhos cansados e preguiçosos, representam perigo. É muito mais difícil dominar turmas com características distintas, dons variados e personalidades diversas do que uma turma compassada.

Mas o problema real ainda não habita neste tempo, mas no futuro, quando cobrarão destes mesmos jovens, hoje abafados em seu brilhantismo e poder de criação, uma postura empreendedora, desafiadora, que passamos anos a dizer-lhes que era um erro social. Queremos profissionais ousados, críticos ponderados, mas estamos exigindo alunos medíocres. A educação está na contramão do mercado de trabalho.



Precisamos rever as dificuldades do sistema de ensino, tanto público quanto privado, sem que essa responsabilidade recaia sobre o aluno. Sabemos que o grande número de alunos por turma é um desafio, e mesmo nas escolas particulares esse fenômeno ocorre devido à diluição de custos. É fato que o professor acumula cargos e o magistério exige um tempo de dedicação extraclasse que acaba por massacrar a eficiência, mesmo do melhor profissional. Mas a verdade única é que não podemos responsabilizar justamente o fruto do nosso trabalho enquanto educadores: o aluno! Este é o resultado dinâmico e crescente da docência, que levará para os anos seguintes o eco das palavras ditas em uma sala de aula qualquer, em algum lugar. Ele é a nossa voz no timbre mais vibrante, quando vai para o mundo com um pouco (ou muito) de nós! Que não sejam como seus mestres, que sejam ainda melhores!

Texto de Gracieli Borges Ferreira



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